segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A BORBOLETA E O CAVALO


Havia uma borboleta e um cavalo que moravam na mesma floresta. 
A borboleta voava por todos os cantos da floresta, visitando os animais e enfeitando a paisagem. Já o cavalo não era um bicho que pudesse viver entregue a natureza, ele era mais reservado. Mas os dois eram livres e, apesar das suas diferenças, em certo momento da vida se aproximaram e criaram um elo. Um dia uma pessoa colocou um cabresto no cavalo e esse, então, teve sua liberdade limitada. A borboleta, embora tivesse amizade de muitos animais e a liberdade de voar para aonde quisesse, preferia fazer companhia ao cavalo. 
E não era por pena. Simplesmente ela gostava do cavalo. Assim, toda vez que podia, ela ia visitar o cavalo.
No entanto, era sempre recebida por ele com um coice, somente depois é que o cavalo sorria. Mas nessas idas e vindas, a borboleta optava por ignorar os coices e apreciar somente os sorrisos. 
Em todas as visitas, o cavalo insistia a borboleta que lhe ajudasse a carregar o cabresto, porque era demais pesado para ele. Ela, muito dedicada, tentava de todas as formas ajudá-lo, mas não conseguia porque era uma criatura muito frágil.
O tempo foi passando e certo dia de verão a borboleta não apareceu. O cavalo, que estava super preocupado em como retirar aquele cabresto, não percebeu o sumiço da borboleta. Somente quando chegou o inverno é que ele se deu conta de que estava sozinho, sem a borboleta. Resolveu, então, sair do seu canto e em um esforço maior do que o normal, passou a procurar a borboleta por todos os locais. Cansado, parou debaixo de uma árvore. Um elefante que passava por ali se assustou com o cavalo ao leu e perguntou o que ele estava fazendo ali. Quando o elefante percebeu que ele era o cavalo do cabresto que a borboleta tanto falava, disse “Ah, você é o famoso cavalo! A borboleta sempre falava muito bem de você”. O elefante, logo em seguida, contou ao cavalo que a borboleta havia morrido há algum tempo devido a muitos coices que ela tinha levado. Explicou que ela sempre voltava toda ferida. 
"Todos queriam ajudar, mas a borboleta só queria contar sobre suas visitas e as suas maravilhas. Não teve jeito, um dia a borboleta perdeu suas asas, depois ficou fraca, triste e morreu”.
 “E ela não mandou me chamar nesses últimos dias?”. 
“Não, todos os animais queriam lhe avisar, mas ela disse que não deveríamos lhe perturbar com coisas pequenas porque você tinha um grande problema, o qual ela nunca foi capaz de ajudar a resolver”.

Se você é uma borboleta, nunca se esqueça de sua fragilidade e limitação quando for visitar um cavalo. Não adianta apenas ignorar as feridas, é preciso tratá-las. Por isso não se culpe e nem pense que você irá incomodar levando suas dificuldades aos outros. Todos um dia precisam de ajuda, inclusive você.
Todos têm defeitos e problemas, mas nem sempre você será capaz de ajudar.
Se você é um cavalo, não desconte na borboleta o cabresto que lhe foi colocado pela vida, ela não suportará para sempre os coices que vem de você. Aprenda a apreciar a fragilidade da borboleta e não insista que ela seja tão forte quanto você. Não exija além do que ela é capaz de oferecer. 
E não espere que ela reaja como você, porque a borboleta tem asa e não pata.
Espero que você possa aceitar as coisas como elas são, sem pensar que tudo conspira contra você. Que você possa aceitar que só quem soube o que é sombra, pode saber o que é luz. Que você possa ter forças para vencer todos os seus medos a fim de alcançar seus objetivos. Que tudo aquilo que você vê ou escuta possa tornar-se conhecimento. Porque parte de nós é o que vivemos e entendemos, a outra parte é o que esperamos e aprendemos.

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